sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amores

Tantos amores perdidos

Tantos amores quase esquecidos

Em cada rosto e cada palavra

Busco um novo amor nova confiança

Onde foi que perdi a capacidade de ouvir e me enlevar

Onde esta perdido o meu sonhar?

Talvez em cada mulher que se foi

Talvez em risos perdidos de crianças que cresceram

Talvez nos vagões balançantes de pessoas atrasadas

Que todo dia se acotovelam no chegar e no partir

Eu passo lentamente pensando em mudar o mundo

E pensando em tantos esforços perdidos, homens e mulheres já desesperados pela vida

Eu quero mudar o mundo

E mudo continuamente minha vida

Sem achar o amor que um dia perdi

Sobrando em sorrisos e risos um coração duro que nem aço

Talhado para a luta

Pouco afeito ao amor

Neblina

A neblina amanheceu cantando

As gotas pequenas de água molhavam meu rostos

E cantavam canções antigas de ninar

O homem chorava o desespero e o desemprego

Outro olhava calado o trem cheio deseperado

A neblina cantava e engolia desesperos e desesperanças

Do salário baixo e do desemprego

Era um canto baixinho que subia de cada gota

Que descia no rosto da mãe sem dinheiro para comprar o leite

E os filhos rindo com a neblina cantante ainda não sentiam a fome que chegaria

A neblina amanheceu cantando

Canções antigas de ninar

Os prédios subiam e subiam homens construindo

As gotas cantavam enquanto o meu rosto olhava a paisagem sombria

Que a tantos parecia um canto alegre de um novo dia

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A dor não começa no coração

A dor não começa no coração

A dor se espalha dos olhos para todo o corpo

As lagrimas descem e queimam o rosto

A cabeça dói

E depois os dentes

Os dentes do coração


 

E você tenta esquecer

Esquecer todas as mulheres que passaram

Esquecer a adolescente de cabelos compridos que você adorou quando tinha 15 anos

Esquecer as namoradas que te deixaram

Esquecer a loira que nunca te viu

A morena que você desprezou e que deve ter chorado mais que você chora hoje


 

E principalmente você tenta esquecer todas as alegrias que ela te deu

Quando você a carregou até a cama, brincando

Quando ela te cuidou ao estar doente

Quando vocês foram ao cinema ver um filme bobo

Quando viram uma peça chata e você ficou feliz ao saber que ela também achava que era chata


 

E tenta esquecer o seu olhar de felicidade

E tenta esquecer o simples caminhar junto

E seu carinho no telefone que se transformou em frieza


 

Mas vou lembrar cada vez que alguém chegar perto

Vou lembrar da tua frieza, do negar

Vou lembrar em cada dia, em cada hora, em cada minuto

Vou lembrar que amar so rima com sofrer

Vou lembrar que não quero amar

Que não posso me entregar

Que cada entrega é dor,

Porque esqueci a lição apreendida?

Por que fui te amar se não queria?


 

Se um dia lembrar de mim, de meus carinhos e meus cuidados

Entrega para tua filha quando crescer para que ela saiba como tratar seus amados

Fazendo-os sofrer antes que eles o façam

Entrega para teu filho para que nele se fortaleça a vontade de não casar

Que se tornar um casal só quebra você em cada separação

E elas vêem sem que você queira, sem que você saiba


 

Pregue em cada canto da tua nova casa para que ela saiba o que é dor

Entrega para o teu futuro amor para que ele se previna

E saiba que um dia uma triste sina o espera


 

Aprecie cada letra e cada gota de dor

E, algum dia no futuro,

Lembre-se com alegria dos dias que tivemos

Lembre-se que já fomos felizes e que te dei felicidade

Passe na minha sepultura e traga rosas

E lembre-se que você matou quem te amou