segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Derreter na Chuva

Coitados de nós que derretemos na chuva

Coitado do mendigo que sofre com a chuva

Coitada da namorada cujo amado não veio por causa da chuva

Coitado do esposo cuja mulher ficou presa na chuva

Ah, a chuva já lavou minha alma e meu coração

E derrete nosso ânimo e nossa vontade

Enquanto por encostas desencostadas descem barracos e vidas

E nas beiras de rios e lagoas pessoas perdem casas, filhos e irmãos

Na Chuva

Chove como se fosse chover o ano inteiro

Chove por todo o aquecimento global mais chuvoso que solorento

Bolorento

Chove e espalha a chuva de sofrimentos

Nem se nota a lagrima de quem sofre ...na chuva

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Versos pobres

Queria eu ter a sutileza de um poeta

Que um dia soube extrair versos de um homem comendo em uma lata de lixo

A doce ironia de um versejador

Que se abaixou na hora do soco

Mas não

Meu versos descem como chumbo frio caindo no chão

Duros, irritantes

Descem crus pela garganta e incomoda sua má disposição

Talvez se escrevesse com pena molhada na tinta

Talvez se escrevesse com lápis e papel

Mas os versos saem insossos deste martelar incessante em teclas de plástico e metal


 

E sem ter sutileza, leveza ou ironia

Ao ver que pobre no mundo é quem ganha menos de 1 dolar e 25 cents por dia

Ao ver em linguagem fria de números que os pobres estão diminuindo

Ao ver esta mentira contada de forma tão fria

Apenas sobra a desilusão, a decepção

De em versos apenas saber dizer

Que no coração bate o ódio e a determinação


 

sábado, 23 de agosto de 2008

Choveu

Chove hoje de manha
e eu quase não amanheci
só um pouco do nesgar dos olhos
mostrava uma manhã chuvosa
preguiçosamente, virei de lado
e esperei chegar o amor

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Contando

Criança ainda, eu contava estrelass

E muito antes de Star Treck eu viajava por sois e planetas

Em espaçonaves mais rápidas que a luz

A força do pensamento

Percorrendo galáxias inimagináveis

Eu contava as estrelas

E também contava a elas

As minhas tritezas e alegrias

Sonhos, amores e decepções

Em noites repletas de imaginação

Depois, um dia, surpreso, descobri que Bilac ouvia estrelas

Mas não as contava

E contei números e dinheiro

Virei contador

Medindo balanços e lucros no escritório do meu pai

E contando a noite os sonhos para as estrelas

E em números traduzi as medidas da Terra

Contando seus números e sua ciência

Contei e calculei com Newton e Einstein

Equações e formulas desciam velozes pela minha boca em forma de números

Eu contava mais alto

Contava as formulas de Einstein e as equações de onda

Contava ainda

Sonhos e amores

As estrelas doiradas que iluminavam o céu negro

Contando segui a vida

E contando estrelas e ondas cheguei a revolução

E como foi isso eu não conto não

Eu agora ouvia estrelas junto com Bilac

E sonhava

Conto agora pessoas e sonhos

Conto números frio da economia e vidas sofridas neste mundo cruel

Eu conto e sonho

E de ponto em ponto

Aumento um conto

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Enquanto ocorre a Olimpíada

Pelo menos nos jornais, nada de novo parece ocorrer. Os escândalos deram pouco o seu ar de graça, o noticiário policial diminuiu de tom e até as pesquisas eleitorais desapareceram. Tudo parado em nome do espírito olímpico?

Infelizmente, o mundo não é assim. O que move o mundo continua a ser a produção e o consumo de bens, a economia. E, neste aspecto, a crise continua a andar, desenrolando-se por baixo dos tapetes bem intencionados de banqueiros e industriais.

Um analista americano, analisando os dados, concluiu acertadamente que a produção industrial americana continuava a crescer, embora em ritmo mais lento que no ano passado. Mas o emprego e os salários diminuíram. Conclusão: a crise está vindo, mas quem está pagando por ela é justamente a classe operária. Sob este aspecto, nem Obama nem MaCain tem proposta ou solução alguma, fingem simplesmente que tal fato não acontece, enquanto se ocupam em xingamentos diversos.

A verdade é que a alta do preço do petróleo e de outros minerais, aliada a baixa do valor do dólar, cobrou o seu preço. A guerra do Iraque começou finalmente a ter algum prejuízo a menos, com o petróleo tendo dobrado de preço e a produção ter finalmente se estabilizado nos valores existentes imediatamente antes da guerra. Este novo fôlego permitiu que o dólar começasse a recuperar-se frente às outras moedas. Mas o fôlego é curto, e tudo o que se viu até agora é que o preço do petróleo diminuiu um pouco, provavelmente porque o pico da especulação já passou, mas os preços de produção – Iraque, poços cada vez em águas mais profundas – não diminuíram e o valor não vai diminuir, não vai voltar aos preços de antes da crise.

No Brasil, a situação caminha para que a crise também seja sentida. Os valores de remessa de lucro para o exterior e de retirada do capital especulativo da bolsa atingiram o seu pico nos últimos seis meses. A Bovespa, como todas as bolsas do mundo, caiu de valor, inclusive empresas que tiveram os seus ativos valorizados, como Petrobras e Vale do Rio Doce (produção de minerais). Apesar da alta de juros, continua aumentando o credito, na esteira da baixa de valor dos produtos industriais, enquanto o preço de moradia, de transporte e principalmente de comida continua a subir. Como se vê, não estamos em um caso clássico de "inflação", mas de mudança dos valores relativos das diferentes mercadorias. Uma mercadoria, em particular, está perdendo valor: a força de trabalho. Como resultado geral da situação descrita anteriormente, morar, transportar-se, comer, ficou mais caro. E isto atinge pesadamente a classe operária, notadamente os seus segmentos mais pobres.

O resultado já começa a se ver: as greves aumentam. O governo Lula, rescaldado, agüentou algumas greves de servidores, mas conseguiu fazer acordos com a maioria, abrindo caminho para mais desqualificação no serviço público em troca de aumentos escalonados e de acordos nos quais as entidades sindicais se comprometem a defender "melhorias no atendimento ao publico, melhorias no desempenho dos servidores". Sim, o governo garantiu sua tranqüilidade monetanea. No setor privado, as grandes categorias ainda aguardam as negociações salariais, particularmente os metalúrgicos. E a grande panela de pressão prepara-se para estourar, apesar de todos os furos que patrões e governo tentam colocar impedindo a força da classe cada vez mais oprimida de se manifestar.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amores

Tantos amores perdidos

Tantos amores quase esquecidos

Em cada rosto e cada palavra

Busco um novo amor nova confiança

Onde foi que perdi a capacidade de ouvir e me enlevar

Onde esta perdido o meu sonhar?

Talvez em cada mulher que se foi

Talvez em risos perdidos de crianças que cresceram

Talvez nos vagões balançantes de pessoas atrasadas

Que todo dia se acotovelam no chegar e no partir

Eu passo lentamente pensando em mudar o mundo

E pensando em tantos esforços perdidos, homens e mulheres já desesperados pela vida

Eu quero mudar o mundo

E mudo continuamente minha vida

Sem achar o amor que um dia perdi

Sobrando em sorrisos e risos um coração duro que nem aço

Talhado para a luta

Pouco afeito ao amor

Neblina

A neblina amanheceu cantando

As gotas pequenas de água molhavam meu rostos

E cantavam canções antigas de ninar

O homem chorava o desespero e o desemprego

Outro olhava calado o trem cheio deseperado

A neblina cantava e engolia desesperos e desesperanças

Do salário baixo e do desemprego

Era um canto baixinho que subia de cada gota

Que descia no rosto da mãe sem dinheiro para comprar o leite

E os filhos rindo com a neblina cantante ainda não sentiam a fome que chegaria

A neblina amanheceu cantando

Canções antigas de ninar

Os prédios subiam e subiam homens construindo

As gotas cantavam enquanto o meu rosto olhava a paisagem sombria

Que a tantos parecia um canto alegre de um novo dia