quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Escrevendo

Eu escrevo em pedaços de papel

Em margens de livros

Na agenda e na mesa

Digito furiosamente idéias incompletas

Enquanto vejosonho corpos ardentes que passam em frente aos meus olhos


 

Eu escrevo o que não vejo

Escrevo dores que não senti

Amores que não vivi

Desejos que não completei

Escrevo mais nãos que certezas

Escrevo o que não é

Eu escrevo não

Não escrevo

Não

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Pergunte ao sol


 

Eu não sei o que houve por aqui

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

E quando acordei já amanhecia

Eu vi tantos rostos lindos

Que mostravam-se na praia sonolenta

Rostos risonhos na areia fina

Areia que entrava em meu dedos

Eu vi tantos rostos lindos

Rostos tristes de um alvorecer doirado

Pergunte ao sol o que aconteceu

Aonde foram parar os sorrisos noturnos

Eu vi teu rosto doce a me fitar

E alvoreceu um duro olhar a me matar

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

sábado, 12 de janeiro de 2008

Hoje

Hoje

Hoje passaremos a noite a fazer poesia

A cantar alegria

Cada tristeza será um verso doente e cruel

Para ser aplaudido e vaiado

E, principalmente rido

Risos viajantes de copos cheios

Risos troantes de piadas perdidas

Riso

Passaremos a noite a fazer poesia

A rir e gargalhar

Da dor que invejamos e não vivemos

sábado, 5 de janeiro de 2008

Tristezas


 

30/8/2005 07:46


Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra - tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra

Areia

20/8/2005 17:25

Tristeava pela praia, distraído

meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas

O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas

Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway

As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas


 

Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,

As noites também.

Na calçada, passam putas tristes e alegres

Olhando cada homem como um cliente em potencial

Sorrindo amargas, convidativas.

Alegres, enjoativas.


 

É triste lembrar que o seu amor se foi

Perdido no interior desse Pais imenso

É triste lembrar as brigas viscerais

Em que tudo o que temos de ruim veio a tona


 

As águas que rolaram do meu rostos

São mais salgadas que as do mar em Copacabana

Andando na areia, olhando o mar

Dos meus olhos descem águas entediadas

O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia


 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Dias Corridos


Os dias que correm e que são corridos
Mais parados que o sol do meio dia
Corridos porque não corremos
Corre o dia, corre a cotia
Só não corre nossa vida tão corrida

O sol do meio dia esquenta e entedia
Corre a vida escorrida em sarjetas arredias
Só não corre nosso amor arredio

Corridos estão todos
Corridos os pedidos chorados
Corridos os dias perdidos em bares e vias
Corridos estamos
Em busca de dias corridos e vidas corridas
Em camas beijos e sofás
Escorre mais que corre o amor fugidio

Eu busco o dia e só encontro noites
Eu busco o clarão do meio dia
E encontro a lua em via de se tornar poesia

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Dois de Janeiro

Segundo dia de Janeiro

O ano começa em primeiro de Janeiro. Mas Janeiro mesmo não começa no dia 1, começa sempre no dia 2. As vezes, quando estou de férias, Janeiro nem começa, nem sinto passar. Agora, quando se trabalha, após as festas do final de ano, se volta no dia 2. E aqui estamos nós todos que estamos trabalhando, labutando, no dia 2.
Olho as noticias com preguiça, que os alimentos subiram mais que a inflação, que apesar da “autosuficiência” em petróleo importamos mais que exportamos, num sol de quase dezembro (sim, porque janeiro é quase dezembro, porque o depois é também quase, apenas chegou um pouco depois, embora o quase dê idéia de que estamos quase chegando lá mas também pode ser que chegamos um pouco depois e Janeiro chegou um pouco depois de dezembro embora Janeiro seja mais um mês novo que um mês como novembro que, este sim, é quase dezembro; Janeiro é mais quase fevereiro, quase carnaval, quase...)
Sim, o Brasil cresceu, a produção cresceu, os salários segundo o governo cresceram mais que a inflação e para as famílias de trabalhadores cresceu mais o gasto com a comida que cresceu o salário e ai a inflação diz uma coisa e o supermercado e o mercado e a vendinha da esquina e a padaria dizem outra: gasta-se mais com comida do que ganhei com o aumento de salário. E esta verdade tão simples insinua-se pelas notícias de jornal, não tão direta, não tão clara, que uma notícia vem um dia a outra vem outro dia e não se vê as duas juntas não, se vê uma num dia e outro noutro dia, separadas, que não é pra ninguém criticar o presidente que tão boas coisas como bolsa família e outras esmolas faz pelo povo pobre que, claro, continua pobre como sempre foi.
Sigo. Olho o sol que esquenta neste janeiro como a muito não esquentava neste Rio, queimando arvores e pessoas, brilhando sob o telhado de zinco do Ministério da Fazenda como brilhava na minha infância em construções precárias que se espalhavam pela cidade de Taguatinga em Brasília e também em outras cidades satélites que era todo o meu mundo enquanto o mundo não vinha. O ar condicionado trabalha a pleno vapor, esfriando um pouco a sala onde todos estamos e quase queimando quem passa do lado de fora e eu lembrando da segunda lei da termodinâmica e tendo certeza que cada ar condicionado esfria um pouco aqui dentro e esquenta muito mais o mundo inteiro porque toda energia ao se transformar gera um pouco de calor e calor é tudo que se gera hoje em janeiro.
E encalorados e esquentados pelos ares condicionados e principalmente pelo sol que brilha como nunca neste quase dezembro do Rio de Janeiro em Janeiro seguimos todos com os alimentos esquentando a inflação e esfriando os bolsos dos trabalhadores que seguem cansados de sol e pouca comida que escasseia com os altos preços enquanto existe credito para tudo não tem jeito de ter credito para comida porque comida tem que se ter todo dia e TV pode se comprar uma hoje e outra daqui a muitos anos e descobrir que o que pagou hoje está baixando de preço que esses eletrônicos todos estão caindo de preço e cai o dólar só não cai o preço da comida e das casas que o aluguel também aumenta e nem se sabe porque.
Sigo. Constrangido. Esperando o quase dezembro e o beijo moreno da moça que passa enquanto passam os dias quentes e as noites quentes também e de beijos e abraços quentes no quente janeiro se segue o dia de trabalhadores e jovens que se sobra a doce ilusão de que janeiro não se faz nada enquanto tantos trabalham e labutam também tem que se amar e beijar e abraçar que só de labuta e pão não se vive, precisa-se de amor e de ilusão.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Des-Compasso

Teu coração bate em compasso

Teu coração sorri de tua foto

Teu coração sorri em tuas frases


 

Estava sentado na praia, distraido

Quando passaste e me mandaste um beijo

Nem tive tempo de virar direito

Nem pude ver você inteira


 

Vi teu rosto, teu sorriso

parece-me que ias como o filho, brincando

Parece-me que ias sorrindo com os olhos duros

E, estranho, maquiada, numa praia


 

Os cabelos longos desmanchavam-se com a brisa

e você sorria, sorria

Não vi muito

Não dissestes quase nada

Mas guardei o beijo

esperando que volte e me conte mais sobre ti

esperando mais beijos

e quem sabe um abraço carinhoso


 

O rosto é lindo

Os cabelos descem, emoldurando o rosto

mas o rosto é sério

Combina com as palavras escritas


 

Vejo-a nas paginas da internet

Assim séria, assim compenetrada

Pensando nas dores que a fizeram assim

Sofrendo junto a vontade de amar