segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Derreter na Chuva

Coitados de nós que derretemos na chuva

Coitado do mendigo que sofre com a chuva

Coitada da namorada cujo amado não veio por causa da chuva

Coitado do esposo cuja mulher ficou presa na chuva

Ah, a chuva já lavou minha alma e meu coração

E derrete nosso ânimo e nossa vontade

Enquanto por encostas desencostadas descem barracos e vidas

E nas beiras de rios e lagoas pessoas perdem casas, filhos e irmãos

Na Chuva

Chove como se fosse chover o ano inteiro

Chove por todo o aquecimento global mais chuvoso que solorento

Bolorento

Chove e espalha a chuva de sofrimentos

Nem se nota a lagrima de quem sofre ...na chuva

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Versos pobres

Queria eu ter a sutileza de um poeta

Que um dia soube extrair versos de um homem comendo em uma lata de lixo

A doce ironia de um versejador

Que se abaixou na hora do soco

Mas não

Meu versos descem como chumbo frio caindo no chão

Duros, irritantes

Descem crus pela garganta e incomoda sua má disposição

Talvez se escrevesse com pena molhada na tinta

Talvez se escrevesse com lápis e papel

Mas os versos saem insossos deste martelar incessante em teclas de plástico e metal


 

E sem ter sutileza, leveza ou ironia

Ao ver que pobre no mundo é quem ganha menos de 1 dolar e 25 cents por dia

Ao ver em linguagem fria de números que os pobres estão diminuindo

Ao ver esta mentira contada de forma tão fria

Apenas sobra a desilusão, a decepção

De em versos apenas saber dizer

Que no coração bate o ódio e a determinação


 

sábado, 23 de agosto de 2008

Choveu

Chove hoje de manha
e eu quase não amanheci
só um pouco do nesgar dos olhos
mostrava uma manhã chuvosa
preguiçosamente, virei de lado
e esperei chegar o amor

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Contando

Criança ainda, eu contava estrelass

E muito antes de Star Treck eu viajava por sois e planetas

Em espaçonaves mais rápidas que a luz

A força do pensamento

Percorrendo galáxias inimagináveis

Eu contava as estrelas

E também contava a elas

As minhas tritezas e alegrias

Sonhos, amores e decepções

Em noites repletas de imaginação

Depois, um dia, surpreso, descobri que Bilac ouvia estrelas

Mas não as contava

E contei números e dinheiro

Virei contador

Medindo balanços e lucros no escritório do meu pai

E contando a noite os sonhos para as estrelas

E em números traduzi as medidas da Terra

Contando seus números e sua ciência

Contei e calculei com Newton e Einstein

Equações e formulas desciam velozes pela minha boca em forma de números

Eu contava mais alto

Contava as formulas de Einstein e as equações de onda

Contava ainda

Sonhos e amores

As estrelas doiradas que iluminavam o céu negro

Contando segui a vida

E contando estrelas e ondas cheguei a revolução

E como foi isso eu não conto não

Eu agora ouvia estrelas junto com Bilac

E sonhava

Conto agora pessoas e sonhos

Conto números frio da economia e vidas sofridas neste mundo cruel

Eu conto e sonho

E de ponto em ponto

Aumento um conto

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Enquanto ocorre a Olimpíada

Pelo menos nos jornais, nada de novo parece ocorrer. Os escândalos deram pouco o seu ar de graça, o noticiário policial diminuiu de tom e até as pesquisas eleitorais desapareceram. Tudo parado em nome do espírito olímpico?

Infelizmente, o mundo não é assim. O que move o mundo continua a ser a produção e o consumo de bens, a economia. E, neste aspecto, a crise continua a andar, desenrolando-se por baixo dos tapetes bem intencionados de banqueiros e industriais.

Um analista americano, analisando os dados, concluiu acertadamente que a produção industrial americana continuava a crescer, embora em ritmo mais lento que no ano passado. Mas o emprego e os salários diminuíram. Conclusão: a crise está vindo, mas quem está pagando por ela é justamente a classe operária. Sob este aspecto, nem Obama nem MaCain tem proposta ou solução alguma, fingem simplesmente que tal fato não acontece, enquanto se ocupam em xingamentos diversos.

A verdade é que a alta do preço do petróleo e de outros minerais, aliada a baixa do valor do dólar, cobrou o seu preço. A guerra do Iraque começou finalmente a ter algum prejuízo a menos, com o petróleo tendo dobrado de preço e a produção ter finalmente se estabilizado nos valores existentes imediatamente antes da guerra. Este novo fôlego permitiu que o dólar começasse a recuperar-se frente às outras moedas. Mas o fôlego é curto, e tudo o que se viu até agora é que o preço do petróleo diminuiu um pouco, provavelmente porque o pico da especulação já passou, mas os preços de produção – Iraque, poços cada vez em águas mais profundas – não diminuíram e o valor não vai diminuir, não vai voltar aos preços de antes da crise.

No Brasil, a situação caminha para que a crise também seja sentida. Os valores de remessa de lucro para o exterior e de retirada do capital especulativo da bolsa atingiram o seu pico nos últimos seis meses. A Bovespa, como todas as bolsas do mundo, caiu de valor, inclusive empresas que tiveram os seus ativos valorizados, como Petrobras e Vale do Rio Doce (produção de minerais). Apesar da alta de juros, continua aumentando o credito, na esteira da baixa de valor dos produtos industriais, enquanto o preço de moradia, de transporte e principalmente de comida continua a subir. Como se vê, não estamos em um caso clássico de "inflação", mas de mudança dos valores relativos das diferentes mercadorias. Uma mercadoria, em particular, está perdendo valor: a força de trabalho. Como resultado geral da situação descrita anteriormente, morar, transportar-se, comer, ficou mais caro. E isto atinge pesadamente a classe operária, notadamente os seus segmentos mais pobres.

O resultado já começa a se ver: as greves aumentam. O governo Lula, rescaldado, agüentou algumas greves de servidores, mas conseguiu fazer acordos com a maioria, abrindo caminho para mais desqualificação no serviço público em troca de aumentos escalonados e de acordos nos quais as entidades sindicais se comprometem a defender "melhorias no atendimento ao publico, melhorias no desempenho dos servidores". Sim, o governo garantiu sua tranqüilidade monetanea. No setor privado, as grandes categorias ainda aguardam as negociações salariais, particularmente os metalúrgicos. E a grande panela de pressão prepara-se para estourar, apesar de todos os furos que patrões e governo tentam colocar impedindo a força da classe cada vez mais oprimida de se manifestar.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amores

Tantos amores perdidos

Tantos amores quase esquecidos

Em cada rosto e cada palavra

Busco um novo amor nova confiança

Onde foi que perdi a capacidade de ouvir e me enlevar

Onde esta perdido o meu sonhar?

Talvez em cada mulher que se foi

Talvez em risos perdidos de crianças que cresceram

Talvez nos vagões balançantes de pessoas atrasadas

Que todo dia se acotovelam no chegar e no partir

Eu passo lentamente pensando em mudar o mundo

E pensando em tantos esforços perdidos, homens e mulheres já desesperados pela vida

Eu quero mudar o mundo

E mudo continuamente minha vida

Sem achar o amor que um dia perdi

Sobrando em sorrisos e risos um coração duro que nem aço

Talhado para a luta

Pouco afeito ao amor

Neblina

A neblina amanheceu cantando

As gotas pequenas de água molhavam meu rostos

E cantavam canções antigas de ninar

O homem chorava o desespero e o desemprego

Outro olhava calado o trem cheio deseperado

A neblina cantava e engolia desesperos e desesperanças

Do salário baixo e do desemprego

Era um canto baixinho que subia de cada gota

Que descia no rosto da mãe sem dinheiro para comprar o leite

E os filhos rindo com a neblina cantante ainda não sentiam a fome que chegaria

A neblina amanheceu cantando

Canções antigas de ninar

Os prédios subiam e subiam homens construindo

As gotas cantavam enquanto o meu rosto olhava a paisagem sombria

Que a tantos parecia um canto alegre de um novo dia

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A dor não começa no coração

A dor não começa no coração

A dor se espalha dos olhos para todo o corpo

As lagrimas descem e queimam o rosto

A cabeça dói

E depois os dentes

Os dentes do coração


 

E você tenta esquecer

Esquecer todas as mulheres que passaram

Esquecer a adolescente de cabelos compridos que você adorou quando tinha 15 anos

Esquecer as namoradas que te deixaram

Esquecer a loira que nunca te viu

A morena que você desprezou e que deve ter chorado mais que você chora hoje


 

E principalmente você tenta esquecer todas as alegrias que ela te deu

Quando você a carregou até a cama, brincando

Quando ela te cuidou ao estar doente

Quando vocês foram ao cinema ver um filme bobo

Quando viram uma peça chata e você ficou feliz ao saber que ela também achava que era chata


 

E tenta esquecer o seu olhar de felicidade

E tenta esquecer o simples caminhar junto

E seu carinho no telefone que se transformou em frieza


 

Mas vou lembrar cada vez que alguém chegar perto

Vou lembrar da tua frieza, do negar

Vou lembrar em cada dia, em cada hora, em cada minuto

Vou lembrar que amar so rima com sofrer

Vou lembrar que não quero amar

Que não posso me entregar

Que cada entrega é dor,

Porque esqueci a lição apreendida?

Por que fui te amar se não queria?


 

Se um dia lembrar de mim, de meus carinhos e meus cuidados

Entrega para tua filha quando crescer para que ela saiba como tratar seus amados

Fazendo-os sofrer antes que eles o façam

Entrega para teu filho para que nele se fortaleça a vontade de não casar

Que se tornar um casal só quebra você em cada separação

E elas vêem sem que você queira, sem que você saiba


 

Pregue em cada canto da tua nova casa para que ela saiba o que é dor

Entrega para o teu futuro amor para que ele se previna

E saiba que um dia uma triste sina o espera


 

Aprecie cada letra e cada gota de dor

E, algum dia no futuro,

Lembre-se com alegria dos dias que tivemos

Lembre-se que já fomos felizes e que te dei felicidade

Passe na minha sepultura e traga rosas

E lembre-se que você matou quem te amou

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Fantasmas


 

Sonhei com o dia em que montei no cavalo e me juntei a Pancho Villa

E tal como o Coronel Macondo

Fiz 99 revoluções e perdi todas

Voltando ao inicio do século dezenove

A minha cabeça, dolorida, ver ressoar os versos

"que tem por monumento as pedras pisadas dos cais"

Passa por minha cabeça delirante

Sonhos empedreados nevoentos de monstros de ferro fundido e aço

Canhões ribombando e um velho soturno carregando peixes pescados em canoa pequena

As masmorras fedorentas de homens mortos de cal e falta de ar

As homenagens tentadas e nunca terminadas

Os convites oficiais para entrevistas e homenagens e a perigrinação em hotéis que não aceitam negros

E o homem, triste, encurvados, desdobrado em mil imagens sem se dobrar jamais

E as imagens de tantos que se dobram e desdobram na lide do dia a dia e que por mim perdidos

Acabados

Arrasados

Nascidos de novo em novos homens mulheres tão diferentes que hoje não são mais gente

São fantasmas

Igual ao almirante negro que só é lembrado nas pedras dos cais


 

Confundem-se em minha cabeça todos os cafés da manhã

Mesas, crianças, pessoas diferentes em cada uma das mesas e dias que se perderam

Minha amiga, agitada, encobrindo todos a sua volta

Apressada, não conseguia um momento siquer de descanso, perdida em sonhos e devaneios

Tentando chegar aonde ninguém chegou e só chegou no medíocre lugar comum dos burocratas que um dia venderam seus sonhos em troca de carros, casa, vestidos

Ela, em minha casa, parava e falava da vida como se sua vida fosse duas

A presidente das assembléias e agitações, a mãe, mulher, criança perdida sem rumo

Minha princesa, sorrindo, preocupada com o suco sem saber se preparei direito para as crianças

As vezes trazia o café na cama amor e dor juntos sem que eu percebesse a distancia que se criava e eu não via mais perdido que todas elas

Minha princesa tão cheia de vida, de sonhos, festas, sorrindo, escrevendo, lendo

Me arrastando para a vida quando eu só queria o quieto do meu canto


 


 

Relembrando o passado

Descobri, assustado, que sou fantasma de mim mesmo

Eu olho as pessoas que passaram por mim

Olho aquelas que se afastaram e as que ainda gosto

E me parecem tão distantes, tão irreais

Como todo doido que pensa que doidos são os outros

Eu, fantasma, pensava que os outros tinham se tornado fantasmas

Ilusão.

Eu, perdido de meu passado, deslocado e desenraizado

Tornei-me em fantasma de mim mesmo


 

É difícil explicar este caminho

Caminho que percorri quando minha princesa marinha me abandonou

Caminho feito de dores e de pedras

De pedras que existem no meio de todo caminho

Primeiro eu chorei

E me apaixonei por um fantasma que surgiu de meu passado distante

E ela era distante e era tão próxima

E era tão real quanto reais são os fantasmas do passado

E eu, olhando fantasmas, não via a flor real que de mim cuidava

Que velava pelo meu sonho, pelos meus choros e até pelos amores fantasmagóricos

Sem saber, o fantasma era eu, perdido em cemitérios feitos de dados e de sorte

Sorteando amores e namoradas, trepadas, choros, paixões e beijos

Buscando em todas a princesa perdida

Buscando em mim o passado irreal e onírico que só almas perdidas podem buscar

Briguei milhares de vezes com minha flor

Que mais precisava de cuidados que eu mesmo

Que mais precisava ser enfermeira de si que de mim

E nos afastamos, nos amamos, nos chegamos e nos matamos


 

Fantasmas, só fantasmas, perdidas para sempre em brumas de um passado longinquoperto

Eu, ainda montado no cavalo, general nomeado pelo dedo de Villa,

Revolucionário ginete de novastecnologiaspalavras, ligado a classe operária

Desdobrava-me em reuniõesassembleiasencontrosmanifestações

Numa reunião em eu não devia ir a encontrei.

Passei a reunião a falar com ela e nem lembrava porque lá fui

Ela era uma fada, Risonha e triste ao mesmo tempo

Cujos feitiços me transformaram em príncipe e em carrasco

Fada boa e bruxa má numa só pessoa

Hoje sorridente, amanhã quebrando copos

Hoje cantando, amanha quebrada na cama

A sua cabeça doía e ela se transformava;

Seus filhos eram anjos e demônios

E ela os amava e odiava na mesma proporção

E queria mata-los e salva-los

E me amava e me odiava

E não sabia amar nem odiar

Perdida, suas feitiçarias me encantavam

E sua varinha de condão me afastava


 

Chorando nas pedras do caminho, pedras do caismonumento do almirante negro

Montado no cavalo que Villa me presenteou, eu sonhava

Sonhos que um dia foram realidade, sonhos que sonhamos juntos e hoje a elas nada falam

Sonhos de uma família feliz que tive em dias de amor e cantos

Sonhos empedrados em apartamentos que eu sonhava só

Sonhos que busquei em cada beijo, em cada olhar, em cada lagrima

Em cada briga de criança, em cada momento que eu olhava procurando uma ponte

Ponte que unia o nada do meu sonhamar com a alegriatriste do seu cantar

Sonhos de uma cidadeperdidalteradacaida em um maranhão mareado por lagrimas

Daqueles que cairamorreram como morreu o almirante

E ela via índios camponeses e não enxergava o amor ao seu lado

Sobraram não os sonhos mas os fantasmas que vagam errantes ao meu lado

Enquanto suas sombras seguem pelo mundo sombras do que foram e hoje não mais são

Dei de visitar cemitérios

Cemitérios de idéias, de canções e de pessoas

Pessoas que tinham morrido e não sabiam

Pessoas que viviam como se mortas estivessem

E convivia com pessoas que morreram

E tentavam viver sendo mortasvivasvampiras de si mesmas

E sugavam mais o seu próprio sangue que o meu

Eu olhava-as, espantado e seguia em frente

Andando por cemitérios enquanto pensava andar em lugares alegres

Nos afastamos eu e ela

Ela voltou ao planaltocemitério

Eu, fantasma translúcido a olho como fantasma de um cemitério distante

O sol passa por mim e não deixa sombras

Todas elas perdidas em cemitérios distantes


 

Devaneio

Um dia escrevi que o quarto onde eu estava me enchia de tristezas

E o que me enchia de tristezaa era a dor da perda

Perdas que se transformaram em fantassmas

Antes ao ver rosililia eu queria morrer

Eu desejavamavasonhava sonhos perdidos ilusões

Hoje os fantasmas delas as vezes povoam minhas noites

Mas ouvir seus nomes ou suas vozes

São coisas esquecidas que já não tocam as fibras do meu coração

E as vezes choro pelo canto não por fantasmas perdidos

Mas por sentir como perda a perda do sentiramar

Choro não sentir dor, choro não sentir a ausência

Choro por não querer mais o que antes me era tão caro


 

E eu, revolucionário, que um dia cavalgou junto com Pancho Villa

que navegou junto com o Almirante Negro

e se juntou a todas as revoluções feitas em Macondo

Agora não posso apear

Sou o fantasma de Macbeth, empunhando a espada flamejante

Sou São Jorge caçando a burguesia-dragão

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Olhos coloridos


 

Vícios coloridos do teu olhar furtacor

Teu olhar tricolor

Melazulpastel

Teu olhar infiel

Amiel

Tua cor que se derrama de cabelos e ventas

Soprando mentas cruentas amarelentas

Tormentas

Viciantes amantes do teu olhar bicolor

Amormente inclemente

Sofregamente

Ardentemente

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Dor


 

Tamanha é a dor

Tamanho é o sofrer

Que o meu cantar se apagou

As palavras que correm no papel

Escorrem sofridas do meu coração

Os beijos que saem de minha boca

São suspiros tormentosos do meu sofrer

O abraço que te dou suave e carinhoso

É só lembrança amarga do meu viver

Tamanha é a dor

Que cada corpo que passa é só torpor

E o ardor do meu amor

É puro amargor

Tamanha é a dor

E pouco, muito pouco, o que penso ser amor


 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Escrevendo

Eu escrevo em pedaços de papel

Em margens de livros

Na agenda e na mesa

Digito furiosamente idéias incompletas

Enquanto vejosonho corpos ardentes que passam em frente aos meus olhos


 

Eu escrevo o que não vejo

Escrevo dores que não senti

Amores que não vivi

Desejos que não completei

Escrevo mais nãos que certezas

Escrevo o que não é

Eu escrevo não

Não escrevo

Não

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Pergunte ao sol


 

Eu não sei o que houve por aqui

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

E quando acordei já amanhecia

Eu vi tantos rostos lindos

Que mostravam-se na praia sonolenta

Rostos risonhos na areia fina

Areia que entrava em meu dedos

Eu vi tantos rostos lindos

Rostos tristes de um alvorecer doirado

Pergunte ao sol o que aconteceu

Aonde foram parar os sorrisos noturnos

Eu vi teu rosto doce a me fitar

E alvoreceu um duro olhar a me matar

Pergunte ao sol o que aconteceu

Eu só sei que adormeci sorrindo

sábado, 12 de janeiro de 2008

Hoje

Hoje

Hoje passaremos a noite a fazer poesia

A cantar alegria

Cada tristeza será um verso doente e cruel

Para ser aplaudido e vaiado

E, principalmente rido

Risos viajantes de copos cheios

Risos troantes de piadas perdidas

Riso

Passaremos a noite a fazer poesia

A rir e gargalhar

Da dor que invejamos e não vivemos

sábado, 5 de janeiro de 2008

Tristezas


 

30/8/2005 07:46


Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra - tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra

Areia

20/8/2005 17:25

Tristeava pela praia, distraído

meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas

O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas

Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway

As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas


 

Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,

As noites também.

Na calçada, passam putas tristes e alegres

Olhando cada homem como um cliente em potencial

Sorrindo amargas, convidativas.

Alegres, enjoativas.


 

É triste lembrar que o seu amor se foi

Perdido no interior desse Pais imenso

É triste lembrar as brigas viscerais

Em que tudo o que temos de ruim veio a tona


 

As águas que rolaram do meu rostos

São mais salgadas que as do mar em Copacabana

Andando na areia, olhando o mar

Dos meus olhos descem águas entediadas

O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia


 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Dias Corridos


Os dias que correm e que são corridos
Mais parados que o sol do meio dia
Corridos porque não corremos
Corre o dia, corre a cotia
Só não corre nossa vida tão corrida

O sol do meio dia esquenta e entedia
Corre a vida escorrida em sarjetas arredias
Só não corre nosso amor arredio

Corridos estão todos
Corridos os pedidos chorados
Corridos os dias perdidos em bares e vias
Corridos estamos
Em busca de dias corridos e vidas corridas
Em camas beijos e sofás
Escorre mais que corre o amor fugidio

Eu busco o dia e só encontro noites
Eu busco o clarão do meio dia
E encontro a lua em via de se tornar poesia

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Dois de Janeiro

Segundo dia de Janeiro

O ano começa em primeiro de Janeiro. Mas Janeiro mesmo não começa no dia 1, começa sempre no dia 2. As vezes, quando estou de férias, Janeiro nem começa, nem sinto passar. Agora, quando se trabalha, após as festas do final de ano, se volta no dia 2. E aqui estamos nós todos que estamos trabalhando, labutando, no dia 2.
Olho as noticias com preguiça, que os alimentos subiram mais que a inflação, que apesar da “autosuficiência” em petróleo importamos mais que exportamos, num sol de quase dezembro (sim, porque janeiro é quase dezembro, porque o depois é também quase, apenas chegou um pouco depois, embora o quase dê idéia de que estamos quase chegando lá mas também pode ser que chegamos um pouco depois e Janeiro chegou um pouco depois de dezembro embora Janeiro seja mais um mês novo que um mês como novembro que, este sim, é quase dezembro; Janeiro é mais quase fevereiro, quase carnaval, quase...)
Sim, o Brasil cresceu, a produção cresceu, os salários segundo o governo cresceram mais que a inflação e para as famílias de trabalhadores cresceu mais o gasto com a comida que cresceu o salário e ai a inflação diz uma coisa e o supermercado e o mercado e a vendinha da esquina e a padaria dizem outra: gasta-se mais com comida do que ganhei com o aumento de salário. E esta verdade tão simples insinua-se pelas notícias de jornal, não tão direta, não tão clara, que uma notícia vem um dia a outra vem outro dia e não se vê as duas juntas não, se vê uma num dia e outro noutro dia, separadas, que não é pra ninguém criticar o presidente que tão boas coisas como bolsa família e outras esmolas faz pelo povo pobre que, claro, continua pobre como sempre foi.
Sigo. Olho o sol que esquenta neste janeiro como a muito não esquentava neste Rio, queimando arvores e pessoas, brilhando sob o telhado de zinco do Ministério da Fazenda como brilhava na minha infância em construções precárias que se espalhavam pela cidade de Taguatinga em Brasília e também em outras cidades satélites que era todo o meu mundo enquanto o mundo não vinha. O ar condicionado trabalha a pleno vapor, esfriando um pouco a sala onde todos estamos e quase queimando quem passa do lado de fora e eu lembrando da segunda lei da termodinâmica e tendo certeza que cada ar condicionado esfria um pouco aqui dentro e esquenta muito mais o mundo inteiro porque toda energia ao se transformar gera um pouco de calor e calor é tudo que se gera hoje em janeiro.
E encalorados e esquentados pelos ares condicionados e principalmente pelo sol que brilha como nunca neste quase dezembro do Rio de Janeiro em Janeiro seguimos todos com os alimentos esquentando a inflação e esfriando os bolsos dos trabalhadores que seguem cansados de sol e pouca comida que escasseia com os altos preços enquanto existe credito para tudo não tem jeito de ter credito para comida porque comida tem que se ter todo dia e TV pode se comprar uma hoje e outra daqui a muitos anos e descobrir que o que pagou hoje está baixando de preço que esses eletrônicos todos estão caindo de preço e cai o dólar só não cai o preço da comida e das casas que o aluguel também aumenta e nem se sabe porque.
Sigo. Constrangido. Esperando o quase dezembro e o beijo moreno da moça que passa enquanto passam os dias quentes e as noites quentes também e de beijos e abraços quentes no quente janeiro se segue o dia de trabalhadores e jovens que se sobra a doce ilusão de que janeiro não se faz nada enquanto tantos trabalham e labutam também tem que se amar e beijar e abraçar que só de labuta e pão não se vive, precisa-se de amor e de ilusão.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Des-Compasso

Teu coração bate em compasso

Teu coração sorri de tua foto

Teu coração sorri em tuas frases


 

Estava sentado na praia, distraido

Quando passaste e me mandaste um beijo

Nem tive tempo de virar direito

Nem pude ver você inteira


 

Vi teu rosto, teu sorriso

parece-me que ias como o filho, brincando

Parece-me que ias sorrindo com os olhos duros

E, estranho, maquiada, numa praia


 

Os cabelos longos desmanchavam-se com a brisa

e você sorria, sorria

Não vi muito

Não dissestes quase nada

Mas guardei o beijo

esperando que volte e me conte mais sobre ti

esperando mais beijos

e quem sabe um abraço carinhoso


 

O rosto é lindo

Os cabelos descem, emoldurando o rosto

mas o rosto é sério

Combina com as palavras escritas


 

Vejo-a nas paginas da internet

Assim séria, assim compenetrada

Pensando nas dores que a fizeram assim

Sofrendo junto a vontade de amar