Queria eu ter a sutileza de um poeta
Que um dia soube extrair versos de um homem comendo em uma lata de lixo
A doce ironia de um versejador
Que se abaixou na hora do soco
Mas não
Meu versos descem como chumbo frio caindo no chão
Duros, irritantes
Descem crus pela garganta e incomoda sua má disposição
Talvez se escrevesse com pena molhada na tinta
Talvez se escrevesse com lápis e papel
Mas os versos saem insossos deste martelar incessante em teclas de plástico e metal
E sem ter sutileza, leveza ou ironia
Ao ver que pobre no mundo é quem ganha menos de 1 dolar e 25 cents por dia
Ao ver em linguagem fria de números que os pobres estão diminuindo
Ao ver esta mentira contada de forma tão fria
Apenas sobra a desilusão, a decepção
De em versos apenas saber dizer
Que no coração bate o ódio e a determinação

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