quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Versos pobres

Queria eu ter a sutileza de um poeta

Que um dia soube extrair versos de um homem comendo em uma lata de lixo

A doce ironia de um versejador

Que se abaixou na hora do soco

Mas não

Meu versos descem como chumbo frio caindo no chão

Duros, irritantes

Descem crus pela garganta e incomoda sua má disposição

Talvez se escrevesse com pena molhada na tinta

Talvez se escrevesse com lápis e papel

Mas os versos saem insossos deste martelar incessante em teclas de plástico e metal


 

E sem ter sutileza, leveza ou ironia

Ao ver que pobre no mundo é quem ganha menos de 1 dolar e 25 cents por dia

Ao ver em linguagem fria de números que os pobres estão diminuindo

Ao ver esta mentira contada de forma tão fria

Apenas sobra a desilusão, a decepção

De em versos apenas saber dizer

Que no coração bate o ódio e a determinação


 

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