sábado, 5 de janeiro de 2008

Tristezas


 

30/8/2005 07:46


Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra - tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra

Areia

20/8/2005 17:25

Tristeava pela praia, distraído

meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas

O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas

Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway

As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas


 

Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,

As noites também.

Na calçada, passam putas tristes e alegres

Olhando cada homem como um cliente em potencial

Sorrindo amargas, convidativas.

Alegres, enjoativas.


 

É triste lembrar que o seu amor se foi

Perdido no interior desse Pais imenso

É triste lembrar as brigas viscerais

Em que tudo o que temos de ruim veio a tona


 

As águas que rolaram do meu rostos

São mais salgadas que as do mar em Copacabana

Andando na areia, olhando o mar

Dos meus olhos descem águas entediadas

O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia


 

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