30/8/2005 07:46
Um velorio, como aqueles do interior, concorrido
salgadinhos, cachaça, choros, lembranças do que já se foi
Eu, enlutado por um amor perdido e pelo amigo morto
vi teus seios furando a blusa negra - tesão!
O enterro foi triste, como qualquer enterro
E fiquei só, esquecendo tua blusa negra
Areia
20/8/2005 17:25
Tristeava pela praia, distraído
meninas passavam aos abraços com namorados
um vendedor de picolé com uma caixa pesada
suava, com um olhar de desespero enquanto poucos compravam
uma familia comia mariscos refogados
e o menino espalhava areia em cima das toalhas
O mar estava lindo
E as ondas, ao bater, choravam como eu queria chorar e não conseguia
Uma loira sentada compunha ao lado de gordo um quadro estranho
parecendo uma foto de revista de fofocas
Parei
queria lembrar-te alegre
lembrar-te cantando
mas tudo o que eu conseguia
era ver um velho dançando na calçada de copacabana
como se estivesse em um sapateado no palco da Brodway
As lagrimas desciam pelo meu rosto
quentes, amargas, salgadas, viscerais, entediadas
Os dias em Copacabana são cada vez mais quentes,
As noites também.
Na calçada, passam putas tristes e alegres
Olhando cada homem como um cliente em potencial
Sorrindo amargas, convidativas.
Alegres, enjoativas.
É triste lembrar que o seu amor se foi
Perdido no interior desse Pais imenso
É triste lembrar as brigas viscerais
Em que tudo o que temos de ruim veio a tona
As águas que rolaram do meu rostos
São mais salgadas que as do mar em Copacabana
Andando na areia, olhando o mar
Dos meus olhos descem águas entediadas
O oceano cobre o meu rosto sem que eu tenha saído da areia

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