Ascensão e queda das sorveterias
Quando eu era criança a única sorveteria que eu conhecia eram aquelas antigas, que faziam um sorvete em máquina, enjoativo.
Havia 3 vidros, coloridos. Você escolhia um dos três, o atendente colocava uma casquinha e o sorve derramava-se.
Fiquei espantando quando vim ao Rio pela primeira vez (ou será na segunda vez? Não lembro).
Existiam sorveterias com fabricação própria e as industriais (Kibon, sem nome). Era gostoso descobrir uma sorveteria nova, que fabricava tal ou qual sabor de forma diferente.
Sempre gostei muito dos sorvetes de frutas. Abacaxi, limão, ameixa, manga. Havia uma sorveteria no Leblon que fabricava um sorvete ótimo de manga. Perdão, não era no Leblon, era na Tijuca (Praça Saens Pena).
Em Copacabana, vivia experimentando um e outro sorvete.
Foi nessa época que abriram uma sorveteria nova em Brasília. E foi o começo do fim.
As sorveterias chegaram ao apogeu. Transformou-se o antigo banana split. Dezenas de sorvetes com dezenas de frutas. Isto começou em Taguatinga e, apesar de esquecer o nome da sorveteria, lembro o nome dos sorvetes: colegial, melba, super melba, hawai, universitário.
O universitário vinha com 2 ou 3 bananas inteira numa taça com 8 ou 9 bolas de sorvete e 2 litros de suco de laranja. A maior diversão da vida era levar algum novato na sorveteria e convence-lo a pedir um universitário. E o sorvete era gostoso.
Alguns anos depois acabaram com o universitário. E inventaram a tal "sorveteria a quilo".
Hoje, estive no Alex, no Leblon. E descobri que não havia sorvete de ameixa (que, todo ano, era ritual tomar um sorvete de ameixa no Alex, com a Rosi, nas férias)
Se não vivi o triste fim de Policarpo Quaresma, vivi o triste fim das sorveterias.
Até ouvi, em frente ao Alex, uma mãe dizer ao filho: "tem sorvete no MacDonalds"

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